'Alice in the Cities': Wim Wenders fez obra-prima sobre a solidão e registra os momentos finais dos valores humanistas da Contracultura!

'Alice in the Cities': Wim Wenders fez obra-prima sobre a solidão e registra os momentos finais dos valores humanistas da Contracultura! - Marcos Doniseti!

'Alice in the Cities' (1974), de Wim Wenders, é uma obra-prima sobre pessoas solitárias, tristes e infelizes que tentam redescobrir ao mundo e a si mesmas, bem como tentam estabelecer conexões emocionais e sentimentais com outras pessoas. E no mundo atual isso é cada vez mais difícil. 

Alice in den Stadten e o Cinema Novo Alemão! 

'Alice in den Stadten' (Alice nas Cidades) é, sem dúvida alguma, um dos mais belos filmes a que já assisti e considero que o mesmo é uma verdadeira obra-prima.

 O filme é a primeira parte da chamada Trilogia da Estrada de Wim Wenders, que é completada por 'Wrong Move' (Movimento em Falso; 1975) e 'Kings of the Road' (No Decurso do Tempo; 1976). 

Alice in the Cities trata de vários assuntos, incluindo a incapacidade das pessoas de estabelecerem laços emocionais e sentimentais e de desenvolver relacionamentos íntimos e duradouros, enfim, de se conectarem e de se comunicarem, o que faz com que elas se tornem infelizes, tristes e solitárias.

Esse tema já havia sido trabalhado anteriormente por Michelangelo Antonioni, um dos cineastas mais admirados por Wenders, principalmente na sua Trilogia da Incomunicabilidade, que é formada pelos clássicos A Aventura (1960), A Noite (1961) e O Eclipse (1962). 

A belíssima fotografia de Alice in the Cities é de Robby Muller (falecido em 2018), que trabalhou com Wim Wenders em dez longas-metragens. A fotografia possui um tom nublado e cinzento que reflete claramente o estado de espírito dos personagens e está conectada com a história que é contada no filme. Este recurso também era muito usado por Michelangelo Antonioni.

Philip Winter (o alter ego de Wenders) é um jornalista alemão que viaja aos EUA para escrever uma reportagem sobre o país, mas não consegue, pois vive uma crise de identidade que o impede de se relacionar com as pessoas e com tudo o que existe ao seu redor.

Portanto, não foi à toa que o excepcional cineasta alemão trabalhou, mais tarde, com o grande Michelangelo Antonioni no filme 'Além das Nuvens', de 1995.

 E a fantástica trilha sonora deste filme de Wenders pontua e reforça o clima de solidão e infelicidade dos personagens, principalmente dos protagonistas, que são Philip e Alice, sendo que está diretamente relacionada com a história do filme. A trilha sonora do filme é de autoria do Can, que foi um dos principais grupos de Rock Progressivo da Alemanha nos anos 1970. 

O filme de Wim Wenders foi tão relevante que gerou até mesmo a formação de um projeto musical que tem justamente o título de seu filme (Alice in the Cities), que foi criado em 2012 e que faz músicas para filmes imaginários. Outro grupo (chamado Ramleh) também compôs uma música com o mesmo título do filme de Wenders.

Wim Wenders foi um dos representantes máximos do chamado Cinema Novo Alemão, a respeito do qual já escrevi de forma bem detalhada aqui no blog quando comentei o filme O Amigo Americano (produção de 1977), do próprio Wenders (ver link abaixo). Então, em função disso, agora farei apenas alguns breves comentários a respeito do mesmo.

O Cinema Novo Alemão teve início com a divulgação do Manifesto de Oberhausen (em 28/02/1962), que se propunha a promover uma revolução nos filmes de longa-metragem do país, o que de fato acabou acontecendo.

Philip viaja pelos EUA e tira inúmeras fotografias com a sua Polaroid, mas ele diz que as fotos nunca mostram aquilo que ele vê. 'Alice in the Cities' é o primeiro filme da aclamada 'Trilogia da Estrada' de Wenders. 

O Manifesto foi divulgado durante a realização do Festival de curtas-metragens que era organizado pelo governo alemão para promover o surgimento de novos talentos e foi lido por Alexander Kluge, um dos principais nomes do movimento e que desenvolveu uma longa e brilhante carreira cinematográfica, estando ainda na ativa dirigindo documentários, curtas-metragens e séries para a TV.

Nos anos seguintes à divulgação do Manifesto foram realizados vinte novos longas-metragens, que foram produzidos por uma nova produtora (Kuratorium der junger deustscher Film ou Comitê do Jovem Cinema Alemão) e inúmeros cineclubes e cinematecas foram criados por toda a Alemanha Ocidental, o que mostra a consolidação do movimento.

Durante a década de 1960, os principais representantes do Cinema Novo Alemão foram Alexander Kluge, Margarethe von Trotta e Volker Scholondorff. 

Já nos anos 1970 surgiu o trio de geniais cineastas que irá fazer com que o Novo Cinema Alemão chegue a um novo patamar de qualidade, levando o mesmo para as telas do mundo inteiro e que irá conquistar inúmeros prêmios internacionais em importantes festivais (Berlim, Cannes, Veneza), que foram Wim Wenders, Rainer W. Fassbinder e Werner Herzog.

Assim, filmes como 'As lágrimas amargas de Petra von Kant' (Fassbinder; 1972), 'O medo do goleiro diante do pênalti' (Wenders; 1972) e 'Aguirre: A cólera de Deus' (Herzog; 1972) fizeram muito sucesso no exterior e abriram o mercado internacional para o Cinema Novo Alemão.

Nova York filmada por Wenders, cineasta alemão que admira muito uma certa produção cinematográfica dos EUA (John Ford, Nicholas Ray, Samuel Fuller) e o Rock'n'Roll, mas que despreza e critica o comercialismo descarado da programação do rádio e da TV ianques.

As diferentes maneiras de se interpretar 'Alice in the Cities'! 

Este clássico e atemporal filme de Wim Wenders pode ser interpretado de  várias maneiras.

- A procura de Wim Wenders pela identidade e de referências para o Cinema Novo Alemão;

- A busca de Philip/Wenders por sua identidade e por referências históricas; 

- O registro dos últimos momentos da Contracultura e dos valores coletivos e humanistas que predominaram entre a juventude dos anos 1960. 

Desta maneira, nesse texto eu irei procurar comentar como este fantástico filme de Wenders pode vir a ser interpretado com base nestas três perspectivas, que não são as únicas, é claro, pois se trata de uma obra complexa.

Wim Wenders e a busca de referências e de identidade para o Novo Cinema Alemão! 

A ausência de referências históricas e de identidade que aflige o personagem Philip Winter em Alice in the Cities também vale, inclusive, para o próprio Cinema Alemão, pois a geração do Novo Cinema germânico dos anos 1960 e 1970 também não as possuía. 

Afinal, a produção cinematográfica alemã da fase anterior ao Cinema Novo Alemão (que é a dos anos 1950) era, ainda, herdeira de um cinema obsoleto e ultrapassado, que tinha suas raízes nos anos 1930 e no período nazista. Eram os chamados Heimatfilme (filmes patrióticos), que retratavam principalmente a vida em uma Alemanha medieval.

Lisa é a mãe de Alice e tem (como todos os adultos do filme) uma vida marcada pela incapacidade de se comunicar e de se relacionar com os outros. A  influência da obra de Michelangelo Antonioni nos filmes de Wenders é muito marcante. 

Logo, a produção cinematográfica alemã do período 1945-1962 não tinha absolutamente nada a ver com a Alemanha do Pós-Guerra e sequer possuía qualquer ligação com a história alemã do próprio século XX.
 
É como se a Alemanha e o povo alemão não tivessem história, como se ela tivesse sido apagada ou sequer tivesse existido. E o motivo desse apagamento histórico eram as duas grandes guerras mundiais dos quais a Alemanha participou, e principalmente Hitler e o Nazismo, é claro.
 
Portanto, isso explica porque Wenders e os cineastas do Cinema Novo Alemão serão muito influenciados pelo cinema clássico dos EUA, pela Nouvelle Vague e pelo cinema italiano. Afinal, eles tinham que procurar por essas referências fora da Alemanha, que é exatamente o que o personagem Philip Winter irá fazer quando viaja para os EUA com o objetivo de escrever uma reportagem.
 
Assim, em Alice in the Cities vemos Philip lendo um jornal alemão que publica a notícia sobre a morte do cineasta John Ford. E os cineastas Nicholas Ray e Samuel Fuller serão homenageados em O Amigo Americano, filme de Wenders do qual ambos participam. 
 
Wim Wenders também fez um documentário junto com e em homenagem a Nicholas Ray, em 1980, pouco depois da morte do mesmo, que ocorreu em 1979. Wenders também realizou um filme junto com Michelangelo Antonioni (Além das Nuvens; 1995), outro dos cineastas que admira. 
 
Outro genial cineasta do Cinema Novo Alemão que foi buscar referências para a sua obra no cinema produzido nos EUA, durante o período áureo de Hollywood, foi Rainer W. Fassbinder, cuja produção a partir dos anos 1970 passou a ser muito influenciada pelos filmes de outro cineasta alemão, que foi Douglas Sirk, que trabalhou muitos anos em Hollywood e que ficou famoso por seus melodramas.
 
Alice procura estabelecer uma comunicação com o triste e solitário Philip, brincando com ele, pedindo para que ele a leve para passear no Empire State, falando sobre os seus sonhos. Mas o jornalista quer apenas levar a garota até Amsterdã, esperar pela mãe e retomar o seu trabalho. 
 
A trama do filme (parte 1)! 

A história de Alice in the Cities gira em torno de um jornalista alemão (Philip Winter) que viaja até os EUA com o objetivo de vivenciar situações que o levem a escrever uma matéria para a publicação da qual é colaborador. A ideia seria escrever um texto sobre os EUA, a nação mais rica e poderosa da Terra desde o final da Segunda Guerra Mundial. 

Os EUA se enxergam como a sociedade modelo, que deveria ser imitada por todos os outros povos e países, sendo supostamente um verdadeiro Paraíso sobre a Terra. Porém, nada está mais longe da verdade, mostra Wenders neste seu belíssimo filme.

Afinal, durante a sua permanência nos EUA o jornalista Philip acaba não conseguindo estabelecer qualquer tipo de conexão com os estadunidenses e, assim, não faz qualquer anotação que pudesse usar para escrever o seu texto. Com isso, ele começa a tirar fotografias, usando a sua Polaroid, pensando que elas poderiam lhe inspirar a escrever o texto, mas isso não acontece.

Philip viaja pelos EUA, mas não se identifica com nada e nota que a programação da TV e do Rádio são péssimas (ele chega a quebrar uma TV em uma pousada na qual se instalou) e com uma função totalmente comerciais.

Angela é uma alemã que vive em Nova York e que demonstra conhecer Philip há bastante tempo e que demonstra possuir muita mágoa dele, pois ele a abandonou, mostrando que eles tiveram um romance anteriormente.

Mas o infeliz Philip diz que as fotografias não conseguem captar a realidade e, portanto, não servem para nada. Porém, o que ele procura não é possível de ser encontrado em qualquer fotografia, pois Philip, na verdade, faz essa viagem para encontrar a ele mesmo. Logo no começo do filme ele canta uma música cuja letra diz que tudo o que ele queria era dormir com uma garota embaixo das cobertas, mas ele é uma pessoa solitária e infeliz.

Na verdade, o que acontece com Philip é que ele não conseguiu se relacionar com ninguém nos EUA e, assim, não passou por nenhuma situação ou experiência de vida que permitisse a ele, Philip, escrever o seu texto, o que mostra que ele não está querendo escrever sobre os EUA, mas sobre ele mesmo. Mas ele não consegue escrever nada pois, como ele mesmo afirma, não tem referências e nem uma identidade. 

Philip está à procura de sua própria história e identidade, o que não deixa de ser uma referência à própria história da Alemanha e do próprio Wenders, pois este faz parte de uma geração cujos país e avós mantiveram um silêncio sepulcral sobre a época do Nazismo e da Segunda Guerra Mundial. Logo, a geração de jovens do Pós-Guerra da então Alemanha Ocidental nasceu sem ter uma história e uma identidade que a definissem.

Aliás, esse relação entre Wenders-Philip fica mais nítida quando percebemos que o protagonista do filme o jornalista tem 31 anos de idade, o que é muito próximo da idade de Wenders (28 anos) quando realizou este belíssimo filme (ele nasceu em Agosto de 1945 e o filme foi realizado durante o verão de 1973). Eles são da mesma geração, como diria Pete Townshend, do The Who.

Philip e Alice atravessam avenida de Nova York. Eles caminharão juntos por várias outras cidades (Amsterdã, Wuppertal, Gelsenkirchen) e neste processo irão aprender a se relacionar, o que sempre foi muito difícil para ambos.

Assim, a busca de Philip por suas raízes históricas e identidade pessoal é também a busca de Wim Wenders. Philip é, claramente, o alter ego de Wenders.

No filme, a dificuldade de Philip de se relacionar com os outros fica claro também quando até mesmo uma amiga (Angela, uma alemã, também solitária e claramente infeliz) que mora em Nova York recusou-se a ajudar o mesmo quando ele pediu para dormir em seu apartamento. Ela o expulsa e, com isso, ele precisa procurar outro lugar para dormir.

Philip pediu essa ajuda para Angela porque, quando foi ao aeroporto comprar a passagem de avião a fim de poder voltar para seu país, ele descobriu que os controladores de tráfego aéreo da Alemanha Ocidental (a reunificação alemã, é bom lembrar, ocorreu apenas em 1990) estão em greve e todos os voos para a terra natal de Philip foram cancelados.

Logo, a única opção que ele terá é viajar de avião até Amsterdã e, dai, retornar para a Alemanha, mas o próximo voo para a capital holandesa sairá apenas na tarde do dia seguinte. E foi neste momento, quando tentou comprar a passagem de volta para a Alemanha, que Philip conheceu uma mulher (Lisa Van Damm) e sua filha (Alice), que também são originárias das terras de Goethe e que pedem a ajuda de Philip, pois elas não falam bem o inglês.

No início do filme vemos Philip usar uma nota de um dólar para pagar o pedágio, na época em que viajava sem sentido pelos EUA. Já no final do filme, vemos Alice pagar a passagem de trem de Philip com uma nota semelhante. Mas isso acontece em um momento em que ele já se encontrava em outro estado de espírito, feliz por ter se conectado com Alice. Assim, a nota de dólar acaba sendo usada em contextos totalmente diferentes e tem uma simbologia muito distinta em cada momento.

Lisa está envolvida em um problemático romance com um homem de negócios alemão (Hans) e que, naquele momento, está trabalhando nos EUA. Mas o relacionamento deles está desmoronando, pois o mesmo já não está mais interessado nela. Porém, Lisa não quer desistir tão facilmente. Assim, ela também passa por uma situação na qual não consegue se relacionar de forma satisfatória com outras pessoas.

Depois que vão para o hotel, Lisa convida Philip a ficar com ela e com a filha no apartamento que em que ela se encontra e, depois que foi enxotado por Angela, ele irá procurar por ela, pois está com pouco dinheiro para gastar. Philip avisa a jovem mãe de que ele não é um sujeito animado, o que é a pura verdade. Ele é um homem triste, solitário e infeliz e que não vê muitos motivos para sorrir. 

No fim das contas, Lisa irá deixar Philip e Alice para trás. Ela escreve um pequeno recado no hotel em que estavam hospedados, dizendo que irá tentar encontrar com o homem com quem está envolvida romanticamente e no qual pede para que Philip leve a sua filha de 9 anos (a esperta e inteligente Alice) de volta com ele para Amsterdã e que esperem por ela na capital holandesa.

Muitas pessoas até hoje questionam o motivo dela ter feito isso. Entendo que o filme mostra que temos, desde quando se conheceram, um entendimento e uma conexão entre Lisa e Philip. Eles parecem, mesmo que inconscientemente, notar que possuem muito em comum e que podem confiar um no outro, como se existisse uma ligação de natureza mais espiritual entre eles, o que tem muito a ver com o contexto histórico da época, sobre o qual irei comentar na sequência.

Alice tira uma foto de Philip. E a belíssima fotografia deste clássico de Wenders é de autoria de Robby Muller, que trabalhou com Wenders em dez filmes e faleceu em 2018. Ao viajarem juntos para a Holanda e pela Alemanha, Philip e Alice irão descobrir muito sobre o outro e também sobre si mesmos.

A contextualização da história do filme! 

Tudo no filme também aponta para o fato de que Alice nunca teve um pai que a criasse, sendo que a sua mãe, Lisa, recusa-se a dizer quem é o mesmo para Philip. É provável que nem ela mesmo saiba quem é o pai da menina ou que, então, não queira se lembrar do mesmo.

E a sua relação com a filha também não é o mais importante para Lisa e a história indica que talvez Alice tenha nascido sem que Lisa desejasse. Isso ajudaria a explicar a facilidade com que ela abandonou a filha, deixando-a com Philip, embora a menina, Lisa e o jornalista tenham se dado bem desde o início.

Mas, na era atual em que predominam valores individualistas e egoístas e na qual temos as 'Guerras Infinitas' dos EUA, a Crise dos Refugiados, a ascensão do Neofascismo e a crise do Neoliberalismo, com seus valores individualistas e egoístas, esse filme de Wenders provavelmente sequer seria realizado.

Afinal, muitos iriam criticar fortemente o fato de uma mãe solteira deixar a sua filha de 9 anos ficar sozinha com um homem adulto (com 31 anos) ao qual ela conheceu na véspera e ainda pedir para que o mesmo leve a filha de volta em uma viagem de avião dos EUA para a Alemanha.

Aliás, logo depois que escrevi essa observação eu assisti a um documentário sobre o filme (na parte de extras do DVD 'A Trilogia da Estrada', que foi lançado pela Versátil Home Vídeo) no qual as atrizes do filme (Lisa Kreuzer e Yella Rottlander) falam justamente isso, ou seja, que atualmente um filme como esse não seria feito. 

Yella (que interpretou a menina Alice) diz que naquela época foi possível realizar Alice in the Cities porque as relações humanas ainda não estavam criminalizadas. Assim, em 1973-1974, ninguém pensaria que Philip poderia ser um criminoso ou mesmo um terrorista, que é o que aconteceria nos dias atuais.

Na foto que Alice tirou de Philip as imagens dos dois se mistura, gerando uma fusão entre elas, o que reflete o relacionamento de ambos, que vai passar por várias etapas, até o momento em que passaram a se respeitar e a ter afeto pelo outro.

Entendo que ela tem inteira razão nesta observação pois se Alice in the Cities fosse realizado atualmente, alguém questionaria (no próprio filme) Lisa a respeito de Philip, dizendo para ela que ele poderia ser um assassino, um traficante de drogas ou até um terrorista e que, portanto, ela jamais poderia confiar nele. Inclusive, uma das atrizes comenta, no documentário, que não fica muito claro, no filme, por qual motivo a Lisa decidiu confiar em Philip e deixar que o mesmo levasse Alice para Amsterdã.

Uma outra possível explicação para esse fato é o de que, na época em que o filme foi realizado (verão de 1973), ainda existiam certos resquícios do período Hippie, da Contracultura dos anos 1960, que foi uma época na qual as pessoas procuraram se relacionar intensamente e ainda havia uma certa confiança entre elas.

É bom ressaltar que os anos 60 foram um período em que milhões de pessoas, no mundo inteiro, se uniram para lutar contra a Guerra do Vietnã, em defesa da Liberdade de Expressão, pela Paz, contra o Racismo e contra toda forma de autoritarismo, não importando a origem do mesmo (dos EUA ou da URSS).

As lutas da época eram globais e aconteceram no mundo inteiro: EUA (Direitos Civis, Guerra do Vietnã), Brasil (luta contra a Ditadura Militar), México, Espanha, Itália, França (Maio de 68), Alemanha, Inglaterra, Japão, Polônia, Tchecoslováquia (Primavera de Praga). A música Street Fighting Man, dos The Rolling Stones, que é um dos maiores clássicos do grupo, por exemplo, trata justamente sobre as manifestações estudantis da época.

E no filme de Wenders fica claro que Philip e Lisa possuem uma idade muito aproximada (em torno dos 30 anos) e que adotam um estilo de vida mais independente, marginal até, não no sentido de serem criminosos, mas no de viverem e pensarem de uma maneira diferente, distante da tradicional estrutura familiar e da forma social dominante.

Afinal, ela é, claramente, uma mãe solteira que já se envolveu com vários homens e ele é um jornalista solitário e intelectualizado que vive uma crise de identidade.

Alice convence Philip de que tem uma avó que mora em Wuppertal. Ela falou isso para que ele não a deixasse sozinha no aeroporto de Amsterdã. Assim, ele aceitou procurar pela avó de menina.

Então, tudo aponta para o fato de que ambos (Lisa e Philip) vivenciaram aquela época de 'Paz e Amor' e da Contracultura dos anos 1960, na qual o espírito coletivista e de confiança entre as pessoas era dominante e o egoísmo, a desconfiança e o individualismo ficavam em segundo plano.

Assim, os dois podem ser considerados como representantes e sobreviventes de uma época que se encontrava em seus últimos momentos, que era a cultura coletiva e humanista que se desenvolveu durante os anos 1960 e que ainda sobrevivia nos primeiros anos da década de 1970.

E quando o filme foi produzido (verão de 1973) o chamado 'Milagre Econômico' do Pós-Guerra (que o historiador Eric J. Hobsbawm chamou de 'Os 25 anos gloriosos do Capitalismo') ainda não havia terminado.

Assim, o pleno emprego e os altos salários ainda eram uma realidade nos países desenvolvidos, embora a greve dos controladores de tráfego aéreo na Alemanha Ocidental indique que o melhor momento econômico já havia passado. Mas o primeiro 'Choque do Petróleo' somente foi acontecer no último trimestre (Outubro) de 1973.

Portanto, aquela era uma outra época, na qual a situação econômica, os valores, as formas de comportamento e de relacionamento entre as pessoas, principalmente entre aquelas que lutaram nos anos 1960 pela construção de um mundo mais justo e pacífico, eram muito diferentes daqueles que são hegemônicos na atualidade.

Alice confessa para Philip que a sua avó nunca morou em Wuppertal. É claro que ela inventou isso para não ser abandonada por Philip. Isso o levou a deixar a menina na delegacia de Polícia da cidade, para que os policiais descobrissem onde a avó dela morava. 

A trama do filme (parte 2)! 

Quando assume o compromisso (até porque ele foi forçado a isso) de levar Alice para Amsterdã, o infeliz e solitário Philip acaba se vendo frente a uma situação inusitada, para a qual ele não estava preparado e que ele não tinha, claramente, interesse algum em enfrentar, que é o de ser responsável por uma criança de 9 anos com quem ele não tinha qualquer contato anterior.

Afinal, a menina Alice não era sua filha, sobrinha ou mesmo filha de uma velha amiga, o que poderia justificar essa situação de se tornar responsável pela criança por um determinado período de tempo.

O adulto Philip e a criança Alice eram ilustres desconhecidos, não sabiam nada a respeito do outro e é claro que o relacionamento deles, depois que a viagem para Amsterdã acontece e Lisa não aparece na capital holandesa, tal como havia prometido, será marcado por vários desentendimentos.

Assim, Alice vivia pedindo para que Philip comprasse comida, pois estava com fome, o que ele fazia, mas muito contrariado. Em uma oportunidade ele a levou para uma lanchonete que oferecia uma comida bem ruim, pois tinha pouco dinheiro, o que fez com que a pobre Alice reclamasse do fato e afirmasse que ele era estúpido.

Alice foge da delegacia de Wuppertal e encontra Philip no carro. Ela diz que enganou os policiais (esperta do jeito que era isso não deve ter sido difícil) e afirma que a comida da delegacia era uma porcaria, o que faz Philip gargalhar pela primeira vez. A atitude dela foi tipo 'Se você acha que irá se livrar de mim tão facilmente, está muito enganado'. 

E depois que eles chegaram a Amsterdã a principal preocupação de Philip será a de tentar se livrar de Alice, deixando-a no aeroporto para que funcionários do mesmo tomassem conta dela até que a sua mãe (Lisa) voltasse dos EUA.

Afinal, ele tem um trabalho a ser feito, que é o de escrever o texto para a publicação e quando ele ainda estava nos EUA já tinha sido cobrado duramente pelo seu editor pois a entrega do texto estava muito atrasada.

Quando fica sabendo que Philip irá deixa-la para trás, Alice vai ao banheiro e chora bastante. Espertamente, para não ser abandonada por Philip, ela conta que tem uma avó e que a mesma mora em uma cidade chamada Wuppertal, embora não se lembre exatamente do endereço da mesma. 

Assim, Philip decide ir para a Alemanha Ocidental com Alice, a fim de deixar a menina com a avó, de cujo nome ela também não se lembra. E ao chegar na Alemanha, Philip decide alugar um pequeno veículo (Renault) e levar a menina para a cidade em que a sua avó residiria.

Na verdade, posteriormente, a menina irá confessar que a história da avó era mentirosa e, assim, fica claro que ela inventou isso para não ser abandonada por Philip. E fica evidente que embora o comportamento de Philip seja mais parecido com o de um irmão mais velho que não gosta muito da caçula, o fato é que ela o vê como se ele fosse um pai.

Aliás, a cena, fantástica, em que a menina Alice conta a verdade, sobre a sua avó, para Philip ocorre em uma lanchonete onde a Jukebox toca a música On the Road Again, do grupo de Blues Rock psicodélico Canned Heat, que tocou no Festival de Woodstock de 1969 e fez muito sucesso nos anos 1960 (olha a Contracultura aí...), inclusive gravando músicas contra a Guerra do Vietnã.

Alice e Philip tiram uma foto juntos, com os dois sorrindo, o que é um reflexo do fato de que eles aprenderam a se relacionar e passaram a se respeitar.

A escolha da música para ilustrar a cena é mais do que justificada, pois a letra da canção do Canned Heat tem tudo a ver com a história do filme de Wenders, sendo que um trecho dela diz o seguinte: "I'm on the road again. I ain't got no woman" ('Eu estou na estrada novamente. Eu não tenho nenhuma mulher'), que pode ser relacionado com a história de Philip, um homem adulto triste e solitário que está viajando pela Alemanha para encontrar a avó de uma menina de nove anos.

E em outro trecho, a letra da música diz 'And my dear mother left me. When I was quite Young' ('E minha querida mãe me deixou. Quando eu era bem jovem'), que pode ser conectada com à história da menina Alice, que acabou de ser abandonada pela sua mãe (Lisa).

No início do filme, quando ainda andava de carro pelos EUA, Philip ouviu Smoke on the Water (do Deep Purple, é claro) no rádio do veiculo. Logo depois ouvimos Psychotic Reaction no Jukebox de uma lanchonete, que é uma música de 1966 do grupo californiano Count Five, de Garage Rock, e que chegou ao quinto lugar na parada da Bilboard.

Nesta cena o próprio Wim Wenders aparece ao fundo (ela ocorre por volta dos seis minutos de filme). A letra da música diz 'I feel depressed, I feel so bad' (S'into-me deprimido, eu me sinto tão mal'), o que está diretamente relacionado com o estado de espírito de Philip naquele momento.

Philip vai assistir ao show de Chuck Berry. Do seu lado direito vemos Peter Handke, escritor austríaco que é muito amigo de Wenders e que escreveu os roteiros de vários filmes deste, incluindo 'O Medo do Goleiro diante do Pênalti' (1971), 'Movimento em Falso' (1975) e 'Asas do Desejo' (1987).

E em uma outra cena, mais adiante no filme, quando já estava na Alemanha Ocidental com a menina Alice, também vemos que Philip vai assistir a um show de Chuck Berry, um dos criadores do Rock'n'Roll nos anos 1950, no qual ele toca 'Memphis, Tennessee'. Aliás, quem está ao lado de Philip nesta cena (que acontece aos 82 minutos de filme) é o escritor austríaco Peter Handke, grande amigo de Wenders desde os anos 1960.

Wim Wenders filmou apresentações de Chuck Berry em Frankfurt, nos anos 1970, mas não teve como usar as imagens em Alice in the Cities devidos aos elevados custos dos direitos autorais.

Desta maneira, Wenders acabou usando imagens de um show de Chuck Berry, de uma apresentação do mesmo em Toronto, em 1969, que havia sido filmada por D.A. Pennebaker. Esta apresentação também contou com a participação de Little Richard, Jerry Lee Lewis e Bo Diddley, todos astros do Rock'n'Roll dos anos 1950.

É bom ressaltar que Chuck Berry, Little Richard e Jerry Lee Lewis voltaram a desfrutar de um período de muita popularidade no final nos anos 1960 e no começo dos anos 1970, quando ocorreu um revival do Rock'n'Roll dos anos 50, chegando a fazer shows para estádios lotados em inúmeros países.

Deep Purple, Chuck Berry, Canned Heat, Can... Wim Wenders sempre foi um grande fã de Rock e as referências musicais que ele usa nesta maravilhosa obra-prima que é Alice in the Cities deixam mais claro ainda o quanto a história do filme está diretamente relacionada com os valores e comportamentos da cultura Hippie e da Contracultura dos anos 1960 e que, naquele momento em que o filme foi realizado, essa era de rebelião e criatividade estava próxima do seu fim.

A foto da casa em que a avó de Alice viveu é a única que corresponde à realidade. No começo, Philip dizia que as fotos que tirava não correspondia, ao que ele enxergava. Com a casa da avó de Alice isso não aconteceu, pois ela era idêntica ao que vemos na fotografia. Mas fica claro que a imagem (foto) registra um momento que já passou, pois a avó dela não mora mais ali. 

E depois que Philip descobriu que havia sido enganado por aquela garotinha de nove anos, ele decidiu que iria levar a mesma para a delegacia de Polícia de Wuppertal, pois os policiais teriam muito mais condições de descobrir onde estaria morando a avó de Alice. A expressão de tristeza no rosto de Alice quando Philip lhe diz isso é de partir o coração de qualquer um.

Mas é claro que a menina fica muito triste com o fato e não ficou muito tempo na delegacia, sendo que pouco tempo depois ela acaba fugindo e vai procurar por Philip, que é a única pessoa na qual ela confia naquele momento.

E esperta como ela era, não deve ter sido muito difícil para Alice sair da delegacia sem que os policiais percebessem. E quando ela, de surpresa, entrou no carro de Philip, ela justificou a sua fuga pelo fato de que havia se lembrado de onde a avó morava e disse também que a comida da delegacia era muito ruim, comentários estes que fizeram Philip dar risada, algo extremamente raro para aquele ser triste e solitário.

Além de inteligente, Alice também tinha um ótimo senso de humor e era a única que conseguia fazer Philip sorrir de forma espontânea, o que mostra o quanto o relacionamento deles havia se modificado e já se encontrava em um novo estágio.

Obs1: A atriz que interpretou Alice (Yella Rottlander) ficou tão marcada pelo papel de Alice que isso afetou até mesmo a sua vida pessoal, pois os homens com os quais ela se relacionava, já na fase jovem e adulta de sua vida, queriam que ela fosse tão inocente quanto a Alice do filme de Wenders, o que era um absurdo total, é claro. Isso fez até com que ela desistisse da carreira de atriz. Ela continuou trabalhando na indústria cinematográfica, mas na condição de figurinista, mas também se formou em Medicina. Após atuar em Alice in the Cities ela participou de uma série de TV em 1976 e, depois, fez apenas uma pequena participação em 'Tão Longe, Tão Perto', do mesmo Wim Wenders, em 1993.

Alice e Philip transformam a vida do outro. Ele se torna o único adulto no qual ela confia. E Philip consegue até se relacionar com outra mulher adulta depois de tudo o que vivenciou ao lado de Alice.

E depois que eles começaram a viajar pela Alemanha Ocidental, Alice percebeu que ele havia parado de tirar fotos e o questionou a respeito. Isso aconteceu porque ele começou a escrever e foram os fatos que ele passou a vivenciar ao lado da própria Alice que levaram Philip a agir assim. E durante a viagem em território alemão também percebemos que o comportamento de Philip e Alice já é completamente diferente, pois eles passaram a se conhecer melhor e a confiar um no outro.

Ele chegam até a brincar e a nadar em um lago em um momento de descontração, momento no qual brincam de xingar um ao outro. E uma das melhores cenas que mostra essa crescente cumplicidade entre ambos ocorre quando eles vão tirar uma foto juntos e alternam sorrisos e rostos fechados, até que na última foto ambos estão sorrindo de orelha a orelha. 

Posteriormente, a inteligente Alice irá olhar para aquelas fotos e dizer que elas ficaram muito bonitas, o que mostra como o relacionamento deles havia se alterado. Outra cena que mostra o quanto eles haviam conseguido se identificar ocorre quando Alice tirou uma foto de Philip e a imagem dela é refletida na foto, com as imagens deles se misturando, como se estivessem em processo de fusão. É exatamente isso que acontece com eles durante a viagem que realizam, o que eles irão descobrir no final.

Um outro momento do filme em que fica clara a mudança de comportamento de Philip, após iniciar a sua viagem com aquela inteligente e esperta menina que é Alice, ocorre quando ele começa a escrever a respeito de tudo o que estava lhe acontecendo ao lado dela. Com isso, ela pergunta, várias vezes, e do alto da sua inocência de quem tem apenas nove anos, o que ele 'está rabiscando'?

Alice sorri ao olhar para a foto que tirou com Philip. Ele é o único adulto no qual ela confia.

Assim, o mesmo Philip que não conseguiu escrever uma linha enquanto estava, sozinho, nos EUA, agora virou um escritor inveterado e escreve tanto que até chamou a atenção da esperta Alice. É que, ao lado de Alice, ele finalmente começou a se descobrir e a estabelecer uma relação emocional e sentimental com outra pessoa, mesmo que esta fosse como uma irmã mais nova, o que ele não havia conseguido em sua vida até aquele momento.

Uma cena que mostra que a situação de Philip havia se alterado profundamente é que no início do filme ele dizia que as fotos que tirava nunca mostravam o que ele via. E a menina observou, quando Philip tirou uma foto durante o voo para Amsterdã, que a foto mostrava era vazia e não mostrava nada. 

Mas no final do filme, quando ele e Alice procuram pela casa da avó, usando uma foto da casa como referência, a residência que eles encontram é idêntica à da avó de Alice. É a mesma casa, embora a avó tenha se mudado para Munique. Assim, foto e casa são semelhantes. A foto mostrou exatamente o que eles viram. 

Tudo isso mostra que Alice foi fundamental para ajudar o adulto Philip a encontrar a identidade e as referências que ele procurava, pois com a menina ele conseguiu aquilo que não havia obtido com outras pessoas, ou seja, estabelecer uma ligação, uma conexão sentimental e emocional. E é por isso que ele irá conseguir finalizar a história que começou a 'rabiscar' (como falava a esperta garota), tal como diz para Alice na sequência final, no trem em que viajam para Munique.

Alice e Philip no trem que os levará a Munique, onde a avó dela está morando e na qual a mãe (Lisa) se encontra à espera dela.

Portanto, aquela menina de nove anos acaba ajudando Philip, mesmo sem saber, e também acaba crescendo e progredindo ao lado dele. Essa experiência extremamente rica que ambos viveram juntos fica claro também quando Philip pergunta para Alice o que ela irá, agora, fazer em Munique e ela dá de ombros, o que é uma maneira dela de dizer que isso não tem mais importância depois da incrível jornada que ela viveu ao lado de Philip. 

E quando eles chegam ao final da jornada, em uma sequência belíssima que se passa em um trem e ao som de uma linda música, com os dois sendo filmados na janela do trem e do alto por Wenders, nenhum dos dois é a mesma pessoa que era quando a viagem começou. 

Aliás, isso também acontece em outro clássico filme de Wenders que já comentei aqui no blog e que é O Amigo Americano, na relação de amizade que se estabelece entre Tom Ripley (Dennis Hopper) e Jonathan Zimmermann (Bruno Ganz). 

Portanto, em sua obra, Wim Wenders mostra o quanto as relações humanas são essenciais para a nossa formação e que sem as mesmas ficamos reduzidos a pouco mais do que a seres desprovidos de alma, ou seja, nos transformamos em verdadeiros zumbis. E ao mostrar isso ele criou um dos mais fantásticos filmes da história do Cinema, que é este belíssimo Alice in the Cities.

Philip e Alice olham pela janela do trem que os leva a Munique. Eles não são as mesmas pessoas que eram quando a viagem começou.

Informações Adicionais! 

Título: Alice in den Stadten (Alice nas Cidades);
Diretor: Wim Wenders;
Roteiro: Wim Wenders e Veith von Furstenberg;
Gênero: Drama; Road Movie;
Duração: 113 minutos;
Ano de Produção: 1974;
País de Produção: Alemanha;
Música: Can (grupo de Rock Progressivo alemão);
Fotografia: Robby Muller;
Elenco: Rudiger Vogler (Philip Winter); Yella Rottlander (Alice); Lisa Kreuzer (Elisabeth); Edda Kochl (Angela); Ernest Boehm (Editor); 
Prêmio: Melhor Filme da Associação de Críticos de Cinema Alemães de 1976.

Links: 

Trailer do filme:

Cena em que toca 'On The Road Again', do Canned Heat:
https://www.youtube.com/watch?v=jBG8XOr-2Vs 

Vídeo de 'On The Road Again':
https://www.youtube.com/watch?v=qtYe43v86po 

História do Novo Cinema Alemão: 

https://cinemaclassicecult.blogspot.com/2020/01/historia-do-cinema-novo-cinema-alemao.html

Yella Rottlander, Wim Wenders, Lisa Kreuzer e Rudiger Vogler durante o Festival de Cinema de Berlim de 2015, no qual o genial cineasta alemão recebeu um Urso de Ouro honorário pela sua fantástica carreira. 

Texto com muitas informações a respeito do surgimento e desenvolvimento do Cinema Novo Alemão:
https://cultsecinefilos.blogspot.com/2019/02/o-amigo-americano-wim-wenders-fez.html 

Informações sobre Alice in the Cities:
https://www.imdb.com/title/tt0069687/?ref_=nm_flmg_act_1 

Trailer do filme:  

https://www.youtube.com/watch?v=s6KYAJZeuEA 

Peter Handke e Wim Wenders - Afinidades eletivas os aproximaram:
https://www.uai.com.br/app/noticia/pensar/2017/03/03/noticias-pensar,202770/livro-analisa-parceria-entre-escritor-peter-handke-e-wim-wenders.shtml


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